A professora Cleide Aparecida dos Santos, de 60 anos, foi vítima de um crime brutal em 2022, quando um ex-aluno invadiu sua casa em Inhumas, Goiás, e a matou. Em sua trajetória profissional, ela atuou como professora, diretora e, nos últimos anos, como profissional de apoio a estudantes com necessidades especiais no Atendimento Educacional Especializado (AEE).
“Ela era o apoio desses alunos, acompanhando-os em sala de aula, ajudando nas atividades e no que mais precisassem”, relembra seu único filho, Anício Nonato da Silva Júnior.
Formada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em Psicopedagogia, Cleide dedicou 37 anos à educação, deixando um legado no Colégio Estadual Presidente Castelo Branco — que hoje carrega seu nome em homenagem póstuma.
Mulher de fé, família e rotina simples
De acordo com o filho, Cleide era uma pessoa profundamente ligada à família e à religiosidade. Ela mantinha o hábito de reunir parentes todos os fins de semana, incluindo seus pais idosos, que cuidava com dedicação. “Meus avós, ambos com declínio cognitivo devido à idade, eram cuidados por ela e pelos outros filhos. Ela tinha um amor e um apego enormes por eles”, conta Anício.
Sua rotina era marcada por gestos simples: cuidar das plantas, rezar o terço e passar tempo ao lado do filho e dos pais. “Aprendi a rezar com ela”, lembra Anício.
Ex-aluno invadiu a casa da professora
A vida tranquila de Cleide foi interrompida em 2022, quando Henrique Marcos Rodrigues de Oliveira, então com 24 anos, invadiu sua casa e a assassinou a facadas. O crime teria sido motivado por vingança, já que Henrique alegou ter sido repreendido pela professora durante seu período escolar, em 2014, quando ela sua chamava a atenção por seu comportamento em sala e por vender drogas nas proximidades da escola.
Na ocasião, o filho de Cleide, Anício, tentou defendê-la e também foi ferido. Henrique, que já tinha passagens pela polícia por tráfico de drogas, havia sido preso em fevereiro de 2022, mas conseguiu liberdade via habeas corpus após duas semanas.
Julgamento
O Tribunal do Júri de Inhumas (GO) julgará Henrique na próxima terça-feira (9), em um processo presidido pela juíza Mônica Miranda Gomes de Oliveira Estrela. “Estamos confiantes de que ele será condenado e esperamos que a pena seja longa, principalmente considerando o perigo que ele representa”, destacou Anício.